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Dilma foi citada 11 vezes nos depoimentos da Lava Jato

Neto Cruz, 12 de março de 2015

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DILMA ROUSSEFF
Após analisar o teor das delações, o procurador-geral da República Rodrigo Janot decidiu não abrir nenhuma investigação sobre presidente

A presidente Dilma Rousseff foi citada 11 vezes nos 190 termos de depoimentos prestados pelos dois principais delatores da Lava Jato: o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef. A informação foi divulgada na tarde desta quarta-feira (11) pelo site do jornal “Folha de S.Paulo”.

Após analisar o teor das delações, o procurador-geral da República Rodrigo Janot decidiu não abrir nenhuma investigação sobre Dilma. Ele alegou estar impossibilitado, pela Constituição, de investigar Dilma acerca do escândalo na Petrobras.

Veja os trechos de depoimentos que citam Dilma:

Depoimentos de Paulo Roberto Costa:

16/8/14 – Citou notícias de imprensa de que a presidente havia tentado destituir o então presidente da Transpetro, Sérgio Machado, mas não conseguiu, tendo em vista a força política de Machado no PMDB

2/9/14 – Mencionou ter conhecido Antonio Palocci Filho na época em que o petista era membro do Conselho de Administração, então presidido por Dilma Rousseff. Afirmou ter recebido solicitação de Palocci, “por meio de Alberto Youssef”, para que fossem “liberados R$ 2 milhões do caixa do PP para a campanha presidencial de Dilma Rousseff”. Disse ter autorizado a entrega, “sendo que Youssef operacionalizou o pagamento e confirmou ao declarante [Costa] posteriormente”. Disse que o doleiro não esclareceu se o pedido do valor foi feito pessoalmente por Palocci ou se por meio de algum assessor

2/9/14 – Disse que Nestor Cerveró deixou o cargo de diretor financeiro da Petrobras Distribuidora depois que, em declarações à CPI da Petrobras, “entrou em contradição em relação às declarações da presidente Dilma Rousseff” no tema da refinaria de Pasadena (EUA)

3/9/14 – Afirmou que a decisão de comprar a Petroquímica Suzano por um preço que ele considerou alto demais foi um ato unilateral do então presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, mas a aquisição “foi chancelada pelo Conselho de Administração” da Petrobras, formado na época, dentre outros, pela “atual presidente Dilma”

11/9/14 – Analisando a composição do Conselho de Administração da Petrobras na época em que era diretor, afirmou que as participações de Dilma Rousseff de 2003 a 2009, como ministra de Minas e Energia e chefe da Casa Civil, e do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, “não foram positivas, pois os mesmos se comportavam como se estivessem em suas funções originais, ou seja, defendiam os interesses do governo e não da Petrobras”

15/9/14 – Informou ter ouvido do lobista Jorge Luz e de empresários argentinos que a presidente Cristina Kirchner “iria conversar com a presidente Dilma” sobre a venda, pela Petrobras, de ativos brasileiros na Argentina

11/2/15 – Disse que o ex-diretor de Óleo e Gás da Petrobras, Ildo Sauer, havia sido o responsável pelo programa de Energia do PT, na campanha de 2002, e iria assumir o Ministério de Minas e Energia no primeiro governo Lula, mas “acabou preterido por Dilma Rousseff”. Informa que Dilma foi presidente do Conselho de Administração da Petrobras no período 2003-2010

11/2/15 – Reafirmou que o doleiro Youssef o avisou de que Antonio Palocci “estava pedindo R$ 2 milhões para a campanha de Dilma” à Presidência em 2010. Acrescentou que “nunca tratou com Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula ou Palocci sobre esse tema”

Depoimentos de Alberto Youssef:

3/10/14 – Reiterou acreditar que o “Palácio do Planalto” sabia da existência do esquema na Petrobras. Indagado sobre quem seria o “Palácio”, citou o nome da presidente Dilma Rousseff, dentre outros petistas como Lula e José Dirceu e o peemedebista Edison Lobão

14/10/14 – Disse que a saída de Paulo Roberto da diretoria de Abastecimento deveu-se a disputa de poder no PP, “sendo que possivelmente quando a presidente Dilma Rousseff tomou conhecimento do assunto, destituiu Paulo Roberto Costa do cargo”. Indagado se Dilma “já sabia sobre o comissionamento” ao PP antes do racha, ou seja, o pagamento de propinas aos parlamentares do PP, afirmou que “possivelmente diante da repercussão das discussões no PP, tornando-o vulnerável, ela [Dilma] aproveitou o momento” para destituir Costa. Perguntado sobre como chegou à conclusão de que Dilma “tomou conhecimento”, Youssef afirmou que ela decorre “do tempo em que Paulo Roberto Costa ficou na diretoria de Abastecimento, e do conhecimento de vários integrantes do partido, tanto do PP quanto do PT e do PMDB sobre o assunto”

11/2/15 – Declara que “não é verdadeira” a afirmação de Paulo Roberto Costa de que o teria procurado para que fossem liberados R$ 2 milhões do PP para a campanha presidencial de Dilma. Reiterou que não “operacionalizou nada”. Acrescentou que Costa “pode ter se confundido em relação a este ponto, pois pode ter repassado esta questão para outro operador”

CLIQUE AQUI para acessar os documentos, no site do jornal.

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