Blog

Política

Indonésia finaliza preparativos para a execução de brasileiro condenado

17 de janeiro de 2015

Setiyo SK/Reuters - 23/8/03

 

Seis pelotões de fuzilamento já estão prontos para executar as penas de morte a que foram condenados um brasileiro e mais cinco pessoas na Indonésia, segundo afirmou o procurador Muhammad Prasetyo ao jornal Kompas. Eles já foram levados para a penitenciária de Nusakambangan, onde serão mortos, na ilha de Java, às 15h, horário brasileiro.

O brasileiro Marco Archer, que foi preso por tráfico, recebeu nesta manhã a última visita da família, além de atendimento religioso. De acordo com o clérigo Hasan Makarim, Archer está pronto para a execução.

Também deverão ser executados o malaio Namaona Denis, o holandês Ang Kiem Soei, a indonésia Rani Andriani, e o nigeriano Daniel Enemuo. A vietnamita Tran Thi Bich Hanh será executada em Boyolali, também em Java Central.

 

Marco foi preso ao tentar entrar na Indonésia, em 2004, com 13 quilos de cocaína escondidos dentro de uma asa delta. A droga, porém, foi descoberta pelo raio-x do Aeroporto Internacional de Jacarta. Apesar de fugir do aeroporto, Marco foi preso após duas semanas de buscas.
Para tentar evitar a execução da pena, a presidente Dilma ligou para o presidente da Indonésia, mas o apelo foi rejeitado. Segundo o Itamaraty, os esforços da diplomacia prosseguem, apesar da recusa. Se o pedido de clemência não for aceito, Archer será o primeiro brasileiro submetido à pena de morte por um Estado estrangeiro.

 

 

Condenado na Indonésia, brasileiro (à direita) aparece ao lado de avdogado

As autoridades da Indonésia estão finalizando neste sábado os preparativos para a execução da pena de morte de seis condenados, entre eles o brasileiro Marco Archer Cardoso e outros quatro estrangeiros, apesar dos vários pedidos de clemência. A execução deve acontecer à meia-noite no horário local (15h deste sábado de Brasília).
O procurador-geral, Muhammad Prasetyo, informou que cinco condenados foram transferidos para a penitenciária de Nusakambangan e o sexto à de Boyolali, ambas situadas na ilha Java, onde as sentenças serão executadas à meia-noite no horário local, informou o jornal “Kompas”.

Prasetyo acrescentou que os seis pelotões de fuzilamento estão preparados e que foi oferecido atendimento religioso para cada um dos condenados, segundo suas crenças.
Também disse que foram rejeitados os pedidos de clemência para os seis condenados – Marco Archer, um holandês, dois nigerianos, um vietnamita e um indonésio – todos eles pelo crime de tráfico de drogas.
“Com isso (as execuções), mandamos uma mensagem clara para os membros dos cartéis do narcotráfico. Não há clemência para os traficantes”, declarou o procurador-geral.
Estas serão as primeiras das 20 execuções que as autoridades da Indonésia planejam realizar neste ano depois que, em 2014, não houve nenhuma e apesar dos novos pedidos de clemência de última hora.
A presidente Dilma Rousseff telefonou na sexta-feira para o chefe de Estado indonésio, Joko Widodo, para pedir que a pena de morte não seja aplicada a Marco Archer, que é instrutor de voo livre e foi preso ao tentar entrar no país, em 2004, com 13 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa delta.
Widodo, que recentemente insistiu em afirmar que não vai perdoar a pena de morte para os crimes relacionados com o tráfico de drogas, respondeu que “não poderia comutar a sentença”, pois foram cumpridos todos os trâmites legais.
A Anistia Internacional (AI) pediu a interrupção da pena de morte a Widodo, que tomou posse em outubro e foi considerado por muitos ativistas como uma esperança de uma mudança no país.
“O novo governo indonésio jurou o cargo com a promessa de melhorar o respeito pelos direitos humanos, mas levar tais execuções adiante seria um retrocesso. As autoridades deveriam estipular, de maneira imediata, uma moratória no uso da pena de morte, visando sua eventual abolição”, disse o diretor da AI na Ásia, Rupert Abbott.
Além da AI, várias organizações locais de amparo aos viciados em drogas enviaram uma carta ao presidente indonésio solicitando o cancelamento das execuções.
Um dos que assinaram o documento, o fundador da ONG Fortalecimento e Ação pela Justiça, Rudhy Wedhasmara, disse que a solução para o tráfico de drogas não é a pena de morte, cujas vítimas, disse, são pessoas que estão em uma posição frágil e vulnerável, e não os grandes chefões dos cartéis do narcotráfico.
“O estado não deveria tentar aliviar seu fracasso na política de luta contra o tráfico de drogas com a pena de morte”, disse Wedhasmara, segundo o jornal “Kompas”.

Comentários

Comentários

author-avatar

Sobre Neto Cruz

Contador (CRC/MA 012900), Jornalista (DRT 1792/MA), Acadêmico de Direito, Membro Fundador e Efetivo da Academia de Letras de Paço do Lumiar . Criou o Blog do Neto Cruz em 29 de Novembro de 2010. E-mail: [email protected] Instagram: @netocruz_doblog

AQUI
Barra Lateral Ir para o Topo