André Fufuca resolveu levar para a Justiça uma das críticas mais duras já publicadas contra sua trajetória política. O alvo é o jornalista e professor Ed Wilson Araújo, autor do artigo “Fufucar: a miséria da política no Maranhão”. A representação chegou nesta quarta-feira (2) ao TRE-MA com pedido de urgência para retirar a publicação do ar. O caso foi distribuído ao juiz auxiliar José Nilo Ribeiro Filho.
O texto que incomodou Fufuca não faz cerimônia. Ed Wilson revisita episódios da carreira do parlamentar, lembra seu voto pelo impeachment de Dilma Rousseff, o apoio a Jair Bolsonaro em 2022 e a posterior chegada ao Ministério do Esporte no governo Lula. Foi além: transformou o sobrenome do político no verbo “fufucar”, expressão usada para ironizar mudanças de lado, acomodações e alianças costuradas conforme o cenário político.
Fufuca reagiu com advogado e processo. A representação sustenta que Ed Wilson errou ao afirmar que Francisco Dantas Ribeiro Filho, pai do parlamentar, teve o registro de candidatura cassado pelo TRE em 2010. Segundo a defesa, houve recurso, a decisão foi revertida e o registro acabou deferido. É justamente nesse ponto que Fufuca tenta sustentar juridicamente o pedido para derrubar a publicação.
A investida, porém, joga combustível em uma discussão muito maior. Até onde um político em plena disputa eleitoral pode recorrer à Justiça para retirar do ar uma publicação jornalística que ataca sua trajetória? E até onde vai a proteção da crítica política quando o texto apresenta uma informação contestada como incorreta pelo personagem atingido? É essa linha que o TRE-MA terá de traçar.
Fufuca afirma que não pretende calar críticas e que busca apenas combater uma informação que considera falsa. Mas o fato político está posto: um candidato ao Senado pediu à Justiça Eleitoral que determine a retirada de um artigo escrito por um jornalista. Em tempos de permanente tensão entre poder e imprensa, o episódio inevitavelmente coloca a liberdade de expressão no centro da discussão.
A tentativa de apagar o artigo pode, inclusive, produzir o efeito contrário. O texto que antes circulava entre leitores de um blog agora ganha dimensão política e jurídica justamente por causa da reação de Fufuca. O que era uma crítica virou processo. O que estava na internet chegou ao TRE-MA.
Agora, todos os olhos estarão voltados para a Justiça Eleitoral. A decisão não tratará apenas do incômodo de um candidato diante de um artigo ácido. Estará em discussão até onde pode ir a caneta judicial quando a política resolve bater de frente com a imprensa.
