
Um caso que parecia caminhar cercado de dúvidas acaba de ganhar um novo e explosivo capítulo em Paço do Lumiar. O Ministério Público pediu novas diligências no inquérito que investiga a morte de Jerder Pereira da Cruz, vítima de uma agressão coletiva nas proximidades de uma igreja no bairro Roseana Sarney. O procedimento continua, até agora, com a autoria registrada como “A APURAR”.
A manifestação ministerial, apresentada nesta quarta-feira (26), coloca uma lupa sobre uma contradição que chama atenção. Segundo o MP, Jerder foi perseguido por um grupo, apareceu desnudo nas imagens e um dos indivíduos teria arremessado uma pedra contra ele. Há ainda fotografias da vítima amarrada. O laudo cadavérico apontou como causa da morte traumatismo cranioencefálico provocado por instrumento de ação contundente, compatível, segundo a manifestação, com o apedrejamento registrado no vídeo.
O detalhe que transforma o caso em um verdadeiro quebra-cabeça está no prontuário do Socorrão II. No atendimento hospitalar foi registrada a informação de que Jerder teria se jogado contra uma porta de vidro durante um suposto surto. O próprio Ministério Público, porém, afirma que essa narrativa é “frontalmente contrariada” pela prova em vídeo e pelo laudo cadavérico, que apontariam para agressões praticadas por terceiros.
Agora surge a pergunta que inevitavelmente deverá ser respondida pela investigação: quem eram os homens que aparecem na agressão e por que, quase dois anos depois da morte, a autoria ainda permanece sem identificação? O Ministério Público quer justamente que a Polícia Civil identifique e qualifique os integrantes do grupo, especialmente o homem apontado como autor do arremesso da pedra, além de procurar câmeras de segurança da igreja e das proximidades e ouvir responsáveis, frequentadores, moradores e integrantes da ambulância que socorreu Jerder.
O caso ocorreu em 27 de outubro de 2024, quando Jerder, então com 35 anos, foi levado ao Socorrão II apresentando múltiplas lesões. O documento hospitalar registra que ele deu entrada às 5h07 e morreu às 8h12 daquela manhã. Mais de um ano e nove meses depois, a investigação continua sem apontar formalmente os autores.
A nova manifestação do MP impede que uma morte cercada de imagens, lesões e versões conflitantes simplesmente seja empurrada para o esquecimento. Há materialidade de uma morte violenta, segundo o próprio órgão ministerial, mas falta responder à pergunta central: quem matou Jerder Pereira da Cruz? Enquanto os responsáveis não forem identificados, o caso permanece como uma ferida aberta em Paço do Lumiar — e agora a cobrança por respostas tende a aumentar.