Paraíba foi ao povoado Boca do Campo anunciar obras, mas o que saltou aos olhos foi outra coisa. No meio da estrada de areia e da realidade simples da zona rural de Morros, apareceu de Adidas, tênis chamativo, óculos escuros, relógio no pulso, bracelete dourado e anel reluzente. O homem foi falar de benefício para o povo, mas parecia pronto para uma passarela. Só peças semelhantes de roupa, tênis e óculos podem custar alguns milhares de reais. Já o relógio e as peças douradas ficam fora da conta: pelas imagens, não é possível saber marca, material ou preço.
O contraste é daqueles que alimentam conversa na feira. De um lado, comunidades onde dinheiro para comida, transporte e conta de luz pesa no orçamento; do outro, Paraíba caminhando na areia todo alinhado, com acessórios brilhando debaixo do sol. Pode comprar? Claro que pode. Mas quem escolhe a pobreza como cenário para vender imagem de homem do povo também precisa aguentar o povo reparando no figurino.
No fim, Paraíba conseguiu anunciar obras e inaugurar um fuxico ao mesmo tempo. Em Morros, onde todo mundo conhece as dificuldades da zona rural, a fotografia praticamente escreveu a pergunta sozinha: “Paraíba foi ver a pobreza ou mostrar o look?” Porque, naquele cenário, antes mesmo de qualquer obra ficar pronta, o brilho que apareceu foi o do homem.
