A apreensão de 556 caixas de cigarros estrangeiros, avaliadas em cerca de R$ 1,8 milhão, ganhou dimensão política porque parte da mercadoria foi encontrada em uma residência situada a aproximadamente 100 metros do Porto da Tucha. Em depoimento, o caseiro preso afirmou que o imóvel pertencia à sua patroa, Sônia Campos, ex-prefeita de Axixá. Policiais também relataram que suspeitos transportavam caixas da casa para um caminhão e fugiram para uma área de mangue com a chegada das viaturas.
Os autos ainda mencionam um comprovante bancário relacionado a Waldivino Freitas Barbosa e identificam Edivonaldo da Costa Silva como proprietário do caminhão. Apesar disso, na documentação analisada, não há registro de depoimento, indiciamento ou acusação contra Sônia Campos. A ligação formal existente até agora decorre apenas da declaração do caseiro de que trabalhava para a ex-prefeita e de que a residência seria propriedade dela.
O auto de prisão em flagrante foi encerrado após a soltura do caseiro, com determinação para que a decisão fosse juntada ao inquérito policial principal e, depois, para o arquivamento daqueles autos. O material disponível não mostra se a ex-prefeita foi ouvida, se os homens que fugiram foram identificados ou se houve rastreamento financeiro e apuração dos responsáveis pela carga. Assim, não há base para atribuir crime a Sônia Campos, mas permanecem abertas as perguntas sobre quem armazenou, financiou e transportaria os 278 mil maços de cigarros encontrados no imóvel a ela atribuído.
