
A decisão assinada pelo ministro Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcou um novo capítulo na disputa pelo comando nacional do PRTB e produziu reflexos imediatos no cenário político. Ao reconhecer que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal já havia restabelecido, em caráter liminar, Leonardo Alves de Araújo na presidência nacional da legenda, o ministro julgou prejudicado o pedido de tutela de urgência e determinou que o TSE promovesse a atualização do Sistema de Gerenciamento de Informações Partidárias (SGIP), restabelecendo oficialmente a direção partidária e levantando o sigilo do processo.
A disputa envolveu acusações de alteração indevida dos registros internos do partido, questionamentos sobre atas partidárias e até a juntada de um laudo da Polícia Federal que apontou indícios de inautenticidade nas rubricas constantes de documentos levados a registro cartorial. Ao longo da tramitação, também vieram aos autos decisões do TJDFT que asseguraram, de forma provisória, o retorno de Leonardo Alves ao comando do partido, cenário que acabou sendo reconhecido pelo TSE ao determinar o cumprimento das alterações no sistema oficial da Justiça Eleitoral.
Os efeitos da decisão ultrapassam a disputa interna do PRTB e alcançam diretamente o projeto político do ex-senador Roberto Rocha. Conforme sustentado na petição apresentada por sua defesa, Rocha comprovou que se filiou ao PRTB em 4 de abril de 2026, último dia do prazo legal de filiação para disputar as eleições, mas seu nome deixou de constar nos sistemas da Justiça Eleitoral porque a direção nacional da legenda permaneceu, por meses, sem acesso ao SGIP em razão da demora no reconhecimento administrativo. Segundo a tese apresentada, o pedido para liberação da senha foi protocolado em 12 de março e somente atendido em 16 de junho, quando o prazo legal já havia expirado. Com a determinação do TSE para regularizar a direção partidária e restabelecer os registros oficiais do PRTB, ganha força a narrativa de que o impasse decorreu de uma falha administrativa da própria Justiça Eleitoral, e não de qualquer irregularidade atribuída ao ex-senador. Nos bastidores, aliados interpretam o desfecho como a consolidação jurídica da permanência de Roberto Rocha no PRTB e um passo decisivo para fortalecer seu projeto eleitoral nas eleições de outubro.