
Em Rosário, a CPI da Educação foi colocada em compasso de espera. Depois de o pedido de suspensão ter sido rejeitado em primeira instância, o vereador Badal, a vereadora Dilmara Ramos e o prefeito Jonas Magno (PDT) recorreram ao Tribunal de Justiça do Maranhão e obtiveram liminar suspendendo os trabalhos da comissão. A decisão foi imediatamente cumprida pelo presidente da Câmara, Rachid João Sauaia, que editou a Portaria nº 09/2026 suspendendo oitivas, diligências, requisições de documentos e qualquer outro ato da CPI até nova manifestação do Judiciário.
No campo jurídico, a decisão deve ser respeitada. No campo político, porém, ninguém consegue apertar o botão de “pausa”. A comissão investigava a aplicação de recursos da educação, um tema que mexe diretamente com dinheiro público e interesse coletivo. Por isso, a suspensão da CPI não encerrou a discussão; apenas mudou o palco. Se antes o debate acontecia na sala da comissão, agora ocupa o Boca Maldita, os corredores da Câmara e a Praça do Cemitério.
A pergunta que não quer calar: quem ganhou mais tempo com essa paralisação?! A gestão, que deixa de enfrentar, por ora, o desgaste de uma investigação? Ou a própria Câmara, que passa a conviver com a cobrança por respostas enquanto a principal comissão investigativa da Casa permanece sem funcionar?
Santo Agostinho ensinava que a justiça é condição para a paz social. Séculos depois, Hans-Georg Gadamer mostrou que toda interpretação depende do contexto, enquanto Hans Kelsen lembrava que a força de uma decisão está na observância da norma. Em Rosário, o processo seguirá seu caminho nos autos. Mas a política não conhece segredo de justiça. Enquanto a liminar produz efeitos jurídicos, o Tribunal da opinião pública continua fazendo perguntas, acompanhando os movimentos da Câmara e observando como a gestão reage quando o assunto é fiscalização.
Porque, no fim das contas, CPI suspensa não significa curiosidade suspensa…
PORTARIA – SUSPENSÃO DA CPI – CM ROSÁRIO
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