
O que deveria ser apenas um ponto de apoio para quem vive do volante se transformou no centro de uma disputa judicial que ameaça o sustento de dezenas de trabalhadores em Morros. Enquanto o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) pede à Justiça a demolição da estrutura instalada às margens da BR-402, a Prefeitura tenta afastar sua responsabilidade pela construção. No meio desse impasse estão taxistas e mototaxistas, que seguem trabalhando sem saber até quando poderão permanecer no local.
Os documentos do processo revelam que o DNIT sustenta ter notificado o Município desde 2021 sobre a ocupação considerada irregular da faixa de domínio da rodovia. O órgão afirma que houve tentativas de solução administrativa, reuniões com representantes municipais e até compromisso para regularizar a situação, mas, segundo a autarquia, nenhuma providência efetiva foi adotada, levando o caso à Justiça Federal.
Na contestação, a Prefeitura busca afastar sua responsabilidade pela obra. A estratégia jurídica pode proteger o Município na ação, mas não resolve o principal problema: o futuro dos profissionais que dependem diariamente daquele ponto para trabalhar. Enquanto União e Município discutem quem deve responder pelo caso, quem vive do transporte de passageiros continua convivendo com a insegurança sobre o próprio local de trabalho.
Embora a Justiça tenha negado, por enquanto, o pedido de demolição imediata, o processo continua em andamento e poderá definir o destino da estrutura. Até lá, permanece uma pergunta que preocupa a categoria: se o abrigo for retirado, qual será a alternativa oferecida aos trabalhadores? Essa resposta, ao menos por enquanto, ainda não aparece nos autos.