O pronunciamento do deputado federal Aluísio Mendes em defesa do ex-prefeito de Rosário, Calvet Filho, condenado em primeira instância pelos crimes de injúria qualificada e racismo religioso, repercutiu entre comunidades quilombolas e entidades ligadas à promoção da igualdade racial e da liberdade religiosa no Maranhão.
Durante discurso na tribuna da Câmara dos Deputados, Aluísio Mendes questionou a decisão judicial que condenou o ex-prefeito a mais de seis anos de prisão, além da perda dos direitos políticos. A manifestação do parlamentar foi interpretada por representantes de movimentos sociais como uma tentativa de minimizar a gravidade dos fatos reconhecidos pela Justiça.
Outro ponto que chamou atenção foi a ausência de qualquer referência ao líder quilombola Zé Ribeiro, morador da comunidade Miranda e vítima no processo judicial. Segundo os autos, as declarações atribuídas a Calvet Filho ocorreram em janeiro de 2025, após a cerimônia de posse do prefeito Jonas Magno, ocasião em que o então gestor não compareceu ao ato oficial de transmissão da faixa.
No discurso, Aluísio Mendes também afirmou que pretende reunir documentos e informações para contestar a condenação do aliado político. A fala, no entanto, gerou questionamentos ao levantar a hipótese de motivações políticas na decisão judicial, apesar de o processo ter sido fundamentado em provas analisadas pelo Poder Judiciário.
A repercussão também alcançou o campo político. Críticos da manifestação lembram que o estatuto do partido ao qual o deputado é filiado estabelece, entre seus princípios, o combate a qualquer forma de discriminação por raça, cor, religião, gênero, idade ou orientação sexual, o que levou setores da sociedade civil a cobrar coerência institucional diante do episódio.
Advogado, policial federal e ex-secretário de Segurança Pública, Aluísio Mendes agora passa a ter seu posicionamento observado por movimentos sociais e lideranças quilombolas, que defendem o respeito às decisões judiciais e a proteção das comunidades tradicionais.
Enquanto isso, Zé Ribeiro afirma continuar apreensivo com os desdobramentos do caso e relata sentir medo de possíveis represálias por parte de apoiadores do ex-prefeito. O episódio segue repercutindo no cenário político maranhense e reacende o debate sobre racismo religioso, liberdade de crença e o papel das lideranças públicas diante de decisões do Poder Judiciário.

