
Rosário conhece esse roteiro de cor. A eleição termina, a faixa muda de ombro, o discurso da renovação toma conta dos palanques, mas basta abrir os diários da Justiça para perceber que o passado continua sentado à mesa. Quase dez anos depois, a Ação Civil de Improbidade Administrativa proposta pelo Ministério Público Federal contra o ex-prefeito Marconi Bimba Carvalho de Aquino continua sem julgamento definitivo. O processo, que discute supostas irregularidades envolvendo R$ 1.414.630,00 em recursos do FUNDEB, atravessou governos, campanhas eleitorais e promessas de mudança sem uma solução de mérito.
Segundo o MPF, a ação foi construída com base em inquérito policial, documentos do Conselho do FUNDEB, relatórios do Tribunal de Contas, parecer do Ministério Público de Contas e extratos bancários. A narrativa da acusação sustenta que, entre 27 e 31 de dezembro de 2012, nos últimos dias daquela administração, recursos da educação foram movimentados de forma irregular. Essa é a tese do órgão acusador, que ainda aguarda exame definitivo pelo Poder Judiciário.
O relógio virou personagem desse processo. Em vez de uma sentença, vieram anos de cartas precatórias, tentativas de citação, migração para o processo eletrônico e novas manifestações do Ministério Público. Em 2025, quase uma década após o ajuizamento da ação, o próprio MPF ainda apontava pendências processuais relacionadas às citações de alguns réus.
Enquanto isso, Rosário seguiu sua vida política. Saiu Bimba, entrou outra gestão, e o município voltou a conviver com judicializações, fiscalizações e intensos embates institucionais durante o governo de Calvet Filho. Os casos têm objetos distintos e trajetórias próprias, mas o efeito político é semelhante: mais uma vez, a administração municipal passou a ser acompanhada de perto pelos órgãos de controle. A impressão que fica é menos sobre um nome específico e mais sobre uma cultura administrativa que insiste em deixar pendências para serem resolvidas depois que o mandato acaba.
O eleitor talvez devesse fazer uma pergunta simples antes de ouvir a próxima promessa de campanha: Rosário quer apenas trocar de prefeito ou quer romper o ciclo em que cada gestão deixa para a seguinte o peso de responder perante os órgãos de controle e a Justiça? Essa resposta não está nos autos do processo. Está nas urnas…