O debate nacional sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 ganhou um novo capítulo explosivo em Brasília. A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e sindicatos de todo o país enviaram uma carta aberta ao presidente da Câmara, Hugo Motta, e ao deputado Leo Prates denunciando uma suposta articulação de empresários do setor de comunicação para aumentar a jornada dos jornalistas justamente durante a tramitação da PEC que promete reduzir o tempo de trabalho dos brasileiros.
Segundo a entidade, o movimento seria uma tentativa de transformar uma pauta histórica da classe trabalhadora em instrumento para retirada de direitos da imprensa. A FENAJ afirma que a jornada especial de cinco horas não é privilégio, mas uma proteção criada diante do desgaste extremo da profissão, marcada por pressão psicológica, plantões irregulares, trabalho noturno, cobertura de tragédias e cobrança permanente da velocidade digital. A carta ainda alerta para o aumento dos casos de ansiedade, depressão e burnout entre jornalistas brasileiros.
O documento também joga luz sobre outro ponto sensível: os benefícios fiscais concedidos historicamente às empresas de comunicação. Mesmo com desoneração da folha e incentivos públicos, dados citados pela FENAJ mostram queda superior a 18% nos empregos formais do setor em dez anos. Para os sindicatos, não faz sentido ampliar a carga de trabalho da categoria enquanto o restante do país discute justamente mais qualidade de vida e redução do tempo dentro das empresas. “O tempo do jornalista pertence ao jornalista e à sua família, não às empresas de comunicação”, dispara um dos trechos mais duros da carta.
