Em meio a um cenário de crescentes pressões, precarização e disputas narrativas, o Dia do Jornalista, celebrado neste 7 de abril, ganha um tom além da homenagem: virou palco de resistência. Profissionais da imprensa em todo o país reforçam que defender o jornalismo é, sobretudo, defender a democracia.
A categoria denuncia uma ofensiva silenciosa contra a profissão, marcada pela desvalorização do trabalho jornalístico, perda de direitos e avanço de modelos que tentam substituir o rigor da apuração pela superficialidade da chamada “produção de conteúdo”. Para os jornalistas, não há espaço para confusão: informação de qualidade exige técnica, responsabilidade e compromisso social — não improviso.
No centro desse embate, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) intensifica sua atuação em Brasília. Pela quinta vez consecutiva, lideranças da categoria ocupam a capital federal em uma articulação direta com parlamentares e representantes do Executivo, pressionando por avanços concretos nas pautas históricas da classe.
Entre os principais alvos de crítica está a Lei 15.325, vista como um risco direto à estrutura da profissão. Segundo a entidade, a norma contribui para aprofundar a precarização, fragilizar vínculos trabalhistas e fomentar conflitos internos no setor. A revogação da lei passou a ser tratada como prioridade absoluta.
Além disso, a mobilização nacional inclui atos simbólicos e protestos coordenados. Jornalistas foram convocados a vestir preto em seus ambientes de trabalho, em um gesto que traduz o momento crítico vivido pela categoria e a urgência de mudanças estruturais.
Mesmo sob pressão, a mensagem é clara: o jornalismo não recua. Em um ambiente marcado por ataques à credibilidade da imprensa e tentativas de esvaziamento do seu papel, profissionais seguem reafirmando sua função essencial — traduzir os fatos, fiscalizar o poder e garantir que a sociedade tenha acesso à verdade.
Neste 7 de abril, mais do que celebrar, jornalistas transformam a data em um chamado público: valorizar quem informa é condição indispensável para a sobrevivência da democracia brasileira.
