O cenário político do Maranhão parece, cada vez mais, seguir à risca uma das máximas de O Alquimista, de Paulo Coelho: quando alguém decide cumprir sua lenda pessoal, o universo conspira a favor. E, no joog político atual, poucos nomes parecem se encaixar tão bem nessa lógica quanto Hilton Gonçalo.
Enquanto os grandes grupos se perdem em disputas internas, o caminho vai se abrindo — quase sem esforço — para quem soube esperar. O prazo do dia 4 tirou Carlos Brandão da equação do Senado. A crise com o vice não apenas travou o movimento, como fechou uma porta que meses atrás parecia “arreganhada”.
Do lado governista, a história se repete. Eliziane “Irmã” Gama até tenta reposicionamento ao flertar com o PT, mas entra no jogo como alternativa secundária. Nos bastidores, o favoritismo interno orbita nomes mais alinhados, como Felipe Camarão, além das articulações ligadas ao grupo de Rubens Pereira.
Na oposição, o enredo não é diferente — é até mais caótico. Roberto Rocha, ao migrar para o Novo após perder espaço no PSDB, acabou se isolando e contribuindo para pulverizar ainda mais o campo adversário.
E é nesse ambiente — de portas que se fecham para uns e se abrem para outros — que Hilton se projeta, naturalmente. Sem confronto direto, sem desgaste, sem ruído. Apenas seguindo o fluxo. Como no livro, não é “forçado” nem conjectura, é leitura do contexto.
No fim, enquanto os caciques insistem em disputar espaço entre si, Dr. Hilton parece fazer o caminho clássico do protagonista de O Alquimista: não força o destino — apenas reconhece quando ele começa a se desenhar. E, na política, isso costuma ser meio caminho andado para chegar lá…
