A tentativa de criação de um sindicato nacional dos chamados trabalhadores “multimídia” acabou interrompida nesta terça-feira (31), na Assembleia Legislativa de São Paulo. A assembleia foi suspensa após decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, em meio a uma forte reação de entidades tradicionais da comunicação, que se mobilizaram para barrar a iniciativa.
O episódio escancarou uma disputa que já vinha sendo travada nos bastidores. Federações de radialistas, com apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, entraram com ação para impedir o avanço do novo sindicato. A avaliação dessas entidades é de que a proposta ameaça a estrutura sindical existente e pode abrir caminho para a retirada de direitos.
Na prática, o que está em discussão é o alcance dessa nova entidade. A crítica central é que o rótulo “multimídia” mistura funções distintas e pode gerar sobreposição de representação, além de enfraquecer categorias já organizadas. Outro ponto sensível é a possibilidade de incluir, no mesmo guarda-chuva, trabalhadores formais, prestadores de serviço e até agentes econômicos, o que contraria o modelo sindical atual.
A FENAJ também acionou o Ministério do Trabalho, apontando risco de conflito de base e defendendo que atividades atribuídas aos chamados “multimídia” já fazem parte do exercício do jornalismo, especialmente no ambiente digital. Para a entidade, o conceito não define uma nova profissão, mas apenas descreve uma característica do trabalho contemporâneo.
A suspensão da assembleia foi comemorada pelas entidades como um freio importante, mas o clima ainda é de disputa. O entendimento é de que o embate está longe do fim e deve se intensificar, com reflexos diretos sobre a organização sindical e as condições de trabalho no setor de comunicação.
