No Dia Internacional de Luta das Mulheres, celebrado em 8 de março, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) trouxe à tona um alerta contundente: ser mulher e jornalista no Brasil ainda significa enfrentar uma rotina marcada por violência, precarização do trabalho e tentativas constantes de silenciamento.
Os números revelam a dimensão do problema. Apenas em 2025, o país registrou 1.470 feminicídios, o equivalente a mais de quatro mulheres assassinadas por dia, além de mais de 83 mil casos de estupro, uma média de um crime a cada seis minutos. Para as jornalistas, que atuam justamente na linha de frente da informação, o cenário se torna ainda mais hostil. De acordo com levantamento sobre trabalhadoras da imprensa na América Latina e no Caribe, 65% das jornalistas brasileiras já sofreram algum tipo de violência de gênero, enquanto 47% relatam ataques online, muitas vezes como tentativa de intimidar ou descredibilizar seu trabalho.
Além da violência direta, a categoria enfrenta um processo crescente de precarização. A chamada “pejotização” do trabalho jornalístico tem fragilizado direitos históricos da profissão e ampliado desigualdades, afetando especialmente as mulheres. Dados apontam que 48% das jornalistas relatam desigualdade salarial, 62% precisam manter mais de um emprego e apenas 22% contam com protocolos institucionais de proteção contra violência e assédio nas empresas de comunicação.
Diante desse cenário, a FENAJ e sua Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas defendem o fortalecimento da organização coletiva da categoria e cobram medidas concretas: equiparação salarial, combate à precarização do trabalho, criação de protocolos de proteção nas empresas de comunicação e responsabilização de agressores e plataformas digitais que amplificam discursos de ódio. Para a entidade, a mensagem é clara: não existe imprensa livre quando mulheres são ameaçadas, violentadas ou silenciadas.
Neste 8 de Março, o recado das jornalistas ecoa como um alerta para toda a sociedade: defender as mulheres na imprensa é também defender a democracia e o direito da população à informação.
