Uma manifestação contundente do Ministério Público Eleitoral no Maranhão pode provocar um verdadeiro terremoto político na Câmara Municipal de São Luís. O órgão pediu à Justiça Eleitoral a cassação da chapa proporcional do partido Podemos nas eleições de 2024 após identificar indícios robustos de fraude à cota de gênero e possível desvio de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).
No centro da investigação está a candidatura da influenciadora digital Brenda Carvalho Pereira, que recebeu R$ 300 mil do fundo eleitoral e obteve apenas 18 votos nas urnas da capital maranhense. Para o Ministério Público, a discrepância entre o alto volume de recursos públicos e o desempenho eleitoral irrisório reforça a suspeita de que a candidatura teria sido usada apenas para cumprir formalmente a exigência legal de 30% de mulheres na chapa — sem a intenção real de disputar a eleição.
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Segundo o parecer ministerial, a própria candidata admitiu que não realizou campanha e não pediu votos, relatando ainda que não possuía autonomia sobre os recursos que entraram em sua conta bancária durante o período eleitoral. As investigações apontam que o dinheiro teria sido rapidamente pulverizado em transferências para empresas e operadores financeiros ligados ao partido, levantando suspeitas de que a candidatura funcionou como um “duto” para desvio de recursos públicos do fundo eleitoral.
Entre os nomes citados na investigação aparece o vereador eleito Fábio Henrique Dias de Macedo Filho, apontado como articulador do esquema dentro do partido. O Ministério Público sustenta que ele teria convidado Brenda para integrar a chapa apenas “para compor” a cota feminina e teria coordenado a distribuição dos recursos repassados à campanha.
Caso a tese do Ministério Público seja acolhida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, o impacto político poderá ser imediato: todos os votos obtidos pelo Podemos na eleição proporcional seriam anulados, com a consequente cassação dos mandatos dos vereadores eleitos pela legenda, incluindo Wendell Aragão, Raimundo Nonato Júnior e o próprio Fábio Henrique.
Além da perda dos mandatos, o parecer pede ainda a inelegibilidade por oito anos para Brenda Carvalho e Fábio Henrique, por participação direta na fraude eleitoral. A medida, se confirmada pela Justiça, pode redesenhar o cenário político da capital maranhense e abrir espaço para uma nova reconfiguração na Câmara de São Luís.
Nos bastidores da política local, o caso já é tratado como um dos episódios mais explosivos do pós-eleição de 2024. Se confirmadas as irregularidades apontadas pelo Ministério Público, o escândalo não apenas expõe fragilidades no uso do fundo eleitoral, mas também reacende o debate sobre o uso de candidaturas femininas fictícias como estratégia partidária para acessar recursos públicos.
