O cenário político da capital maranhense pode sofrer um novo abalo. O Ministério Público Eleitoral (MPE) no Maranhão emitiu parecer defendendo a cassação da chapa proporcional do Podemos nas eleições de 2024 em São Luís, após apontar indícios de fraude à cota de gênero. O documento, assinado pelo procurador regional eleitoral Tiago de Sousa Carneiro, sustenta que a candidatura da influenciadora digital Brenda Carvalho Pereira teria sido utilizada apenas para cumprir formalmente o percentual mínimo de mulheres exigido pela legislação eleitoral.
Segundo o parecer, a candidata recebeu R$ 300 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), mas terminou a disputa com apenas 18 votos, número considerado incompatível com o volume de recursos destinados à campanha. Para o Ministério Público, a discrepância levanta suspeitas de que a candidatura tenha sido meramente formal, sem estrutura real de mobilização eleitoral. O documento também menciona ausência de atos de campanha consistentes e movimentações financeiras concentradas em poucos dias.
O parecer ainda aponta repasses do fundo eleitoral para empresas e profissionais ligados à estrutura partidária, entre eles KM Produções e Eventos Ltda, Sapere Ltda, CGC Contabilidade e o advogado Thibério Henrique Lima Cordeiro, o que também entrou no radar das investigações. O caso ganhou novo fôlego após o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) restabelecer provas oriundas de investigação da Polícia Federal e de mandado de busca e apreensão que haviam sido retiradas por decisão liminar.
Com base na Súmula 73 do Tribunal Superior Eleitoral, o Ministério Público pede a cassação do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) do Podemos, o que pode resultar na anulação dos votos da legenda e na perda dos mandatos dos vereadores eleitos pelo partido em São Luís. O processo ainda será julgado pela Justiça Eleitoral, mas o parecer já coloca a eleição proporcional da capital sob forte tensão política e jurídica.

