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EXCLUSIVO: Nota da AMMA e ofício de dez juízes expõem reação institucional contra proposta que atinge Vara de Interesses Difusos

Neto Cruz, 11 de fevereiro de 202611 de fevereiro de 2026
Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos da Comarca da Ilha – Crise no Judiciário? Proposta de extinção da Vara de Interesses Difusos provoca reação pública e racha institucional no TJMA

A proposta de transformação da Vara de Interesses Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos da Comarca da Ilha de São Luís em 13ª Vara da Fazenda Pública colocou em alerta o Judiciário maranhense — e levou o juiz Douglas Martins a se manifestar publicamente.

O tema foi tratado com EXCLUSIVIDADE no Programa Pinga Fogo, da Rádio Cultura FM, onde o magistrado afirmou que a medida surge justamente após não terem sido encontradas irregularidades em sua atuação.

“Como não conseguem encontrar nada de errado para abrir um processo administrativo contra mim, agora querem extinguir a minha Vara”, declarou.

A proposta consta na Minuta de Projeto de Lei Complementar que altera o Código de Divisão e Organização Judiciária do Maranhão, convertendo a unidade especializada em vara fazendária comum . Pelo texto, o acervo atual permaneceria sob a jurisdição da nova 13ª Vara da Fazenda Pública, enquanto as futuras ações coletivas seriam redistribuídas entre as varas fazendárias.

O argumento oficial: “baixa distribuição”

Na justificativa do projeto, o fundamento central é estatístico: a Vara teria registrado 229 novos processos em 2023, 166 em 2024 e 202 em 2025 . O documento sustenta que haveria “capacidade ociosa” e que a transformação permitiria auxiliar no descongestionamento das demais varas, que operam com média de 5.500 processos por unidade.

Mas a narrativa numérica foi duramente contestada.

Os números que não apareceram na justificativa

A Associação dos Magistrados do Maranhão (AMMA) protocolou manifestação formal contrária à proposta, apontando que a análise exclusivamente quantitativa ignora o acervo real da unidade: 1.047 processos ativos, sendo 449 pendentes de julgamento e 131 suspensos.

Para a entidade, a tese de ociosidade é “estatisticamente insustentável” e desconsidera a alta complexidade das ações coletivas, que envolvem políticas públicas, conflitos fundiários, saúde, meio ambiente e direitos de populações vulneráveis.

A AMMA foi além: classificou a mudança como “modificação estrutural” que implicaria supressão da jurisdição especializada e possível esvaziamento funcional do magistrado titular.

Reação em bloco: magistrados da Fazenda também se posicionam

Em movimento incomum, dez juízes das Varas da Fazenda Pública assinaram manifestação conjunta contrária à transformação da unidade. O documento sustenta que a especialização é tendência estimulada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e que a pulverização das ações coletivas pode gerar decisões conflitantes e insegurança jurídica.

O texto alerta ainda que a redistribuição não aliviará o sistema, mas poderá prejudicar tanto as demandas coletivas quanto as fazendárias comuns.

“Não esperem omissão”

No programa de rádio, Douglas Martins deixou claro que continuará decidindo “com base em estudo e fundamento jurídico”, mesmo quando as decisões atingem interesses econômicos e políticos relevantes.

“Eu decido todo santo dia assuntos que impactam interesses econômicos e políticos das maiores empresas do Maranhão”, afirmou.

E completou:

“Uma coisa ninguém vai esperar de mim nunca, que é a omissão ou o medo de decidir quando atinge interesses políticos e econômicos.”

Debate vai além de uma Vara

A discussão deixou de ser meramente administrativa. Para parte da magistratura, a extinção da unidade especializada representa possível retrocesso na tutela coletiva e na consolidação de entendimentos em ações de grande impacto social.

Para o Executivo e setores da administração, trata-se de reorganização voltada à eficiência.

O fato é que a proposta agora escracha uma tensão institucional rara: de um lado, o argumento da racionalização estrutural; de outro, a defesa da especialização como instrumento de proteção dos direitos difusos.

Enquanto o projeto tramita, uma pergunta não quer calar nos bastidores do Judiciário maranhense: trata-se de modernização administrativa — ou de reação às decisões que vêm incomodando interesses poderosos?

VEJA MAIS CLICANDO NOS LINKS ABAIXO:

anexo_7382263_MINUTA_PROJETO_DE_LEI_(3)_(3) (1) anexo_7389457_Oficio_22-2026_-

_Manifestacao_AMMA_-_Proc_7422026_-_assinado OFC-6VFPSL – 52026 – Manifestação sobre o OFC-CPICGJ –

22026 (Proposta de transformação da Vara de Interesses Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos)

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