A 6ª Conferência Estadual das Cidades do Maranhão movimentou São Luís nos dias 26 e 27 de novembro e marcou a volta de um dos principais instrumentos democráticos de participação social no planejamento urbano do estado. Após anos sem realização, o encontro reuniu sociedade civil organizada, movimentos sociais, gestores municipais, Governo do Estado, Governo Federal e setor empresarial — uma união rara que reposiciona o Maranhão no debate nacional sobre desenvolvimento urbano.
Durante dois dias, temas como habitação, mobilidade urbana, planejamento territorial, infraestrutura, meio ambiente, segurança pública e participação social dominaram os debates. Os eixos discutidos serviram como base para formulação de propostas que vão compor o novo Plano Nacional de Desenvolvimento Urbano. O professor e conselheiro estadual Ronald Chaves, que mediou o eixo 3, destacou o espírito do evento: “Política urbana só se constrói com governo e sociedade sentando juntos para decidir o rumo das cidades.”
Primeiro dia: reconstrução democrática e formulação das propostas
A abertura contou com representantes do Ministério das Cidades, que reforçaram o papel das conferências como espaço de reconstrução democrática e reorganização da política urbana no Brasil. Grupos temáticos se reuniram ao longo do dia para analisar cada eixo e formular as propostas que seriam avaliadas pelos delegados.
Para Chaves, esse momento foi decisivo: “As conferências são espaços de escuta e construção coletiva. É aqui que as cidades se reencontram com seus moradores.”
Segundo dia: aprovação das propostas e nova composição do Conselho Estadual
No dia 28, os delegados aprovaram as propostas construídas nos grupos e elegeram os novos conselheiros estaduais. Também foram escolhidos os representantes do Maranhão para a etapa nacional, que ocorrerá em fevereiro de 2026, em Brasília.
Letícia Miguel Teixeira, coordenadora do Conselho Nacional das Cidades, reforçou o papel estratégico da retomada: “O Maranhão volta à cena nacional com força. As conferências estavam paradas há anos, e agora retomamos o processo com energia e responsabilidade.”
O presidente em exercício do Conselho Estadual, Janilson Lima, destacou a amplitude inédita da participação: “Este foi um processo que envolveu os 217 municípios. Discutimos saneamento, segurança, habitação, resiliência urbana. O Maranhão chegou unido.”
Representações municipais, como a delegação de Açailândia, fizeram questão de alertar para a importância de levar a voz do interior para o debate. A conselheira Ivanelde Amorim resumiu o sentimento:
“Cada cidade tem sua realidade. Estar aqui é garantir que o Maranhão profundo também esteja na mesa.”
A delegada municipal Iara Bandeira completou:
“Tratamos de temas que afetam diretamente o dia a dia. É um passo enorme para o estado e para os municípios.”
Unidade e reconstrução: o tom do encerramento
O encerramento reforçou o clima de união e o compromisso com um novo ciclo de políticas públicas urbanas no Maranhão.
Para o conselheiro Ronald Chaves, o saldo é positivo e histórico:
“Foram dois dias intensos, necessários e transformadores. Governo, sociedade civil, movimentos sociais e setor produtivo sentaram juntos para reconstruir uma política que estava parada há anos.”
Rumo a Brasília
Em fevereiro de 2026, os delegados maranhenses levarão a Brasília o conjunto de propostas aprovadas no estado. O Maranhão promete chegar com força política renovada, discurso afinado e espírito de reconstrução — ingredientes que podem reposicionar o estado no cenário urbano nacional.

