
Operação resultou em oito prisões; grupo agia com extrema frieza nas portas de agências bancárias de São Luís
A manhã desta terça-feira (14) começou movimentada na Grande Ilha. Em uma ação coordenada pela Seccional Sul da Polícia Civil do Maranhão, agentes deflagraram uma operação que colocou fim à atuação de uma quadrilha especializada em golpes contra idosos nas imediações de agências bancárias de São Luís. O balanço da ação: oito pessoas presas, sendo seis com mandado de prisão preventiva e duas capturadas por envolvimento em extorsão mediante sequestro.
Segundo as investigações, o grupo vinha agindo desde o início do ano, deixando um rastro de vítimas e prejuízos. Pelo menos 14 pessoas caíram na armadilha dos golpistas, uma delas perdeu mais de R$ 50 mil em uma única investida. Três dos presos usavam tornozeleira eletrônica — um detalhe que escancara o perfil reincidente e ousado dos criminosos.
O golpe: a velha “recompensa” que terminava em prejuízo
De acordo com o delegado-geral Manoel Almeida, o bando agia sempre da mesma forma. Nas portas de bancos, fingiam encontrar um objeto de valor e pediam ajuda a um idoso que estivesse passando. Com falsa gratidão, ofereciam uma “recompensa” em dinheiro, de R$ 100 a R$ 200, e conduziam a vítima até um local onde ela seria induzida a deixar bolsas, cartões e documentos com um dos criminosos — que logo sumia com tudo.
Quando as vítimas desconfiavam e se negavam a seguir o roteiro, os golpistas partiam para a violência. “Em muitos casos, eles chegavam a roubar os pertences na força, aproveitando-se da vulnerabilidade dos idosos”, destacou o delegado-geral.
Prisões em série e sequestro na Ribeira
A operação desta terça ocorreu simultaneamente em dois bairros. No Residencial Amendoeiras, na região do Maracanã, seis integrantes foram presos — entre eles, os reincidentes monitorados por tornozeleiras. Já no Residencial Ribeira, outros dois foram capturados por um crime brutal ocorrido no ano passado: um casal foi sequestrado, agredido e obrigado a transferir R$ 15 mil via Pix sob ameaça de arma de fogo. As vítimas foram mantidas em cativeiro por cerca de duas horas, em meio a humilhações.
Continuidade das investigações
Todos os presos foram levados à sede da Polícia Civil, onde prestaram depoimento antes de serem encaminhados ao sistema penitenciário. A Polícia acredita que o grupo faça parte de uma organização criminosa maior, com ramificações em outros bairros da capital e até em cidades do interior.
“Os golpes contra idosos têm sido uma prioridade da Polícia Civil. Vamos continuar as diligências para localizar eventuais comparsas e recuperar o máximo possível dos valores subtraídos”, assegurou Manoel Almeida.
A ação reforça a vigilância das forças de segurança no combate a crimes que exploram a boa-fé de cidadãos, especialmente os mais vulneráveis — e deixa um recado direto aos estelionatários de plantão: em São Luís, o cerco está se fechando.


