A atuação da senadora Eliziane Gama (PSD-MA), integrante da base governista e declarada apoiadora do presidente Lula, gerou forte repercussão política e jurídica nesta semana. Durante sessão da CPMI, a parlamentar comemorou a rejeição do requerimento de convocação de Edson Claro Medeiros Júnior, ex-funcionário do chamado “Careca do INSS”, que declarou à polícia ter sido ameaçado por um lobista.
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Por 16 votos a 14, o colegiado decidiu não ouvir o depoente, decisão articulada pela tropa de choque governista. A postura festiva da senadora, ao vibrar pelo resultado, “pegou mal” e levantou dúvidas sobre o compromisso da comissão com a busca da verdade. Em termos jurídicos, a não convocação de uma testemunha apontada como peça-chave pode comprometer a instrução probatória da CPMI e enfraquecer os princípios constitucionais da transparência e da moralidade administrativa.
O episódio foi agravado pela postura do deputado Paulo Pimenta (PT), ex-ministro da Secretaria de Comunicação, que discutiu com o presidente da CPMI, senador Carlos Viana, tentando obstruir a votação. Pimenta chegou a minimizar a importância do depoimento, afirmando que o caso deveria se restringir a um simples boletim de ocorrência na delegacia. A crítica da oposição e de juristas, entretanto, é de que tal posicionamento descaracteriza o papel fiscalizador do Parlamento e pode configurar desvio de finalidade na condução dos trabalhos.
A reação pública foi imediata. Nas redes sociais, a senadora foi acusada de “blindar investigados” e de “comemorar a ocultação de provas”. Do ponto de vista jurídico-político, analistas apontam que a conduta da base governista pode ser interpretada como uma afronta ao princípio da publicidade e da accountability parlamentar, pilares que legitimam o exercício do poder legislativo em uma democracia.
O gesto de Eliziane Gama, antes visto como alinhamento estratégico, tornou-se um episódio de desgaste político que poderá refletir nas eleições de 2026. Mais do que a polêmica momentânea, a cena reforça o debate sobre os limites éticos e jurídicos da atuação parlamentar em comissões de inquérito — organismos criados exatamente para investigar, esclarecer e garantir que a sociedade tenha acesso à verdade dos fatos.
Afinal, a “Irmã da Irmã” está, também, sob o olhar atento dos maranhenses.

