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Decisão de Douglas Martins amplia repercussão nacional de rinhas de galo e expõe rede de responsabilização solidária

Neto Cruz, 26 de setembro de 202526 de setembro de 2025

A sentença firmada pelo juiz Douglas Martins não apenas condena os envolvidos em um sofisticado esquema de rinhas de galo, mas projeta-se como precedente de alcance nacional, explorando juridicamente a força do dano moral coletivo e a necessidade de responsabilização solidária.

O magistrado foi enfático ao pontuar que os laudos técnicos “atestaram a estrutura montada para os combates e as lesões infligidas aos 188 galos apreendidos, submetidos a sofrimento intenso para fins de entretenimento e apostas”. Com isso, criou uma narrativa robusta de afronta direta ao ordenamento jurídico ambiental, capaz de sensibilizar instâncias superiores e consolidar jurisprudência.

Enquadramento estratégico dos réus

Oportunamente, a decisão não se limitou a punir condutas individuais. Douglas Martins enquadrou cada réu em papéis funcionais dentro da engrenagem ilícita: Adailton, responsável pelo controle de acesso e cobrança; Marcos Antônio, legitimador da prática na condição de palestrante e dirigente; e a Associação Nacional dos Criadores da Raça Índio Brasileiro, que, em atitude ainda mais grave, fez apologia institucionalizada à crueldade, promovendo uma “cultura da rinha” como se fosse prática legítima.

Essa construção demonstra que a responsabilidade não se fragmenta, mas se solidifica em cadeia, abrindo espaço para a responsabilização de entidades e lideranças como corresponsáveis pelos danos ambientais.

Consolidação do dano moral coletivo

De forma oportunista e pedagógica, o magistrado trouxe à tona o dano moral coletivo como instrumento de pressão social e jurídica. Nas palavras da sentença:

“A organização de um evento interestadual para a prática de rinhas, com estrutura sofisticada e ampla participação, representa grave ofensa aos valores de proteção à fauna, gerando indignação e desvalorização da vida que atinge toda a sociedade.”

Aqui, Douglas Martins fez mais do que aplicar a lei: utilizou a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça para reverberar a condenação em termos de exemplaridade, sinalizando que o Judiciário não se limitará à reparação material, mas atuará como guardião dos valores constitucionais.

Expansão do alcance nacional

Em gesto ousado, o magistrado determinou o envio da sentença a órgãos de fiscalização estaduais e municipais de todo o país, medida que transcende os limites do caso concreto e projeta a decisão como marco referencial no combate à crueldade animal. O encaminhamento estratégico demonstra a pretensão de criar efeito multiplicador, prevenindo novas práticas e reforçando a centralidade do Judiciário na defesa da fauna.

Justiça

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