
O cenário político de Icatu ganha contornos cada vez mais escandalosos com a reeleição de Walace Azevedo Mendes (PSDB), figura conhecida não apenas pelas alianças políticas tradicionais, mas também pelo seu estilo de vida ostentatório, incompatível com a dura realidade enfrentada pela maioria dos icatuenses. Enquanto moradores enfrentam dificuldades estruturais, o prefeito desfilava durante o período eleitoral cercado de luxo, veículos importados e regalias, como outros prefeitos da chamada “República do Litoral”, onde o glamour de quem governa contrasta com o abandono de quem é governado.
Agora, além das suspeitas morais e do evidente distanciamento entre gestor e povo, Walace volta a figurar como alvo de representação na Justiça Eleitoral por mais uma infração à legislação – uma reincidência que já revela mais do que descuido: uma postura deliberada de afronta à ordem legal.
A denúncia revela que o prefeito reeleito voltou a desrespeitar frontalmente o art. 37 da Lei nº 9.504/1997, que proíbe propaganda em bens de uso comum. Mesmo alertado em representação anterior, Walace teria mantido e até ampliado a prática ilícita, dessa vez afixando propaganda em comércio particular de livre circulação, localizado no povoado Itatuaba, fato este devidamente documentado e acompanhado de pedido de retirada urgente da publicidade irregular.
A reincidência não é mera coincidência. É sintoma de uma velha prática que insiste em resistir ao tempo e às regras do jogo democrático. A utilização de espaços de uso coletivo ou de grande circulação popular, como estabelecimentos comerciais, não apenas viola o equilíbrio do pleito, mas escancara o desprezo do gestor pela ética e pela lisura do processo eleitoral. E, segundo a jurisprudência firme do TSE, essa conduta não comporta qualquer margem de tolerância.
Em despacho anterior, outro episódio semelhante envolvendo o mesmo prefeito resultou em representação por propaganda ilegal afixada em poste de iluminação pública, exatamente na via que dá acesso ao Fórum Eleitoral da cidade, que vem sendo tido como supostamente “conivente” com desmandos de quem é “amigo do poder”… Uma afronta simbólica ao Poder Judiciário, como se nem a Justiça merecesse respeito no projeto de poder do gestor reeleito.
Walace, que construiu sua campanha sobre alicerces frágeis de marketing e promessas repetidas, parece se recusar a obedecer até mesmo as mais elementares regras do jogo democrático. E a pergunta que fica é: até quando o eleitor de Icatu terá que suportar uma gestão marcada pelo luxo pessoal, ilegalidades eleitorais e descompromisso com a coisa pública?
O processo está conclusos para decisão…
O Ministério Público Eleitoral deve opinar sobre o caso.