Um episódio digno de tragicomédia jurídica acaba de movimentar os bastidores do Judiciário maranhense: o empresário Raimundo Wagner de Sousa Silva, homem de negócios com patrimônio de causar inveja até em jogador da Premier League, decidiu processar um jornalista por suposto “abalo moral” — e, pasme, pediu justiça gratuita. Um empresário. Rico. Com imóvel no condomínio fechado de alto padrão “Sollaris”, alegando “pobreza no sentido legal da palavra”.
Mais hilário que isso? Só o desfecho: recuou da ação menos de 24 horas depois. Simples assim. Alegou “direito” de desistir e saiu de fininho. Segundo consta no processo, tramitando no Juizado Especial Cível de Caxias, a investida jurídica foi retirada nesta quarta-feira (21), sem nenhuma explicação ao grande público, claro.
A decisão de recuar veio imediatamente após o blog do Domingos Costa revelar o que já se cochichava nos corredores da política local: o empresário, que acumula mais de R$ 30 milhões em contratos públicos com a Prefeitura de Matões, tentou convencer a Justiça de que não teria como arcar com as custas processuais sem passar fome. Com a sutileza de quem dirige um Porsche e pede carona pra economizar gasolina, anexou à petição uma declaração de hipossuficiência.
Para o processo, o autor solicitava nada menos que R$ 10 mil por danos morais, além de tutela de urgência para censurar publicações de Joerdson Rodrigues, jornalista e administrador do blog homônimo, que noticiou, entre outras pérolas, que o empresário em questão teria recebido auxílio emergencial indevidamente durante a pandemia. Seria cômico, se não fosse público.
Na petição inicial, recheada de jargões, citações do jurista alemão Robert Alexy e clamor por “honra objetiva”, o autor alegava que teve sua “imagem ilibada” e “reputação empresarial” jogadas ao chão por denúncias que, aparentemente, ninguém deveria saber. Ocorre que, como a verdade tem o pé mais rápido que a Justiça, a reportagem expôs um cenário difícil de ignorar: há riqueza, ostentação e contratos gordos — mas ainda assim, pedido de gratuidade judicial.
Com a repercussão negativa, o processo virou piada nos bastidores da Justiça e nos grupos de WhatsApp da região. Resultado: a suposta vítima desistiu antes mesmo que o réu fosse citado. Afinal, para quem gosta de aparecer como valente, sair pela porta dos fundos e em silêncio é… conveniente.
A desistência foi formalizada por quem, até então, parecia disposto a levar a tese adiante. Após o recuo, restou apenas um rastro de constrangimento digital e a dúvida pairando no ar: quem desiste de um processo que acredita ter razão? E mais — quem declara pobreza ostentando poder público e patrimônio?
Certa está a sabedoria popular: quem tem rabo preso, não gosta de cutucar onça com vara curta. E quando a verdade aparece, muitos preferem correr a responder…
