
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) determinou, nesta quinta-feira (15), o afastamento de Ednaldo Rodrigues da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A decisão foi proferida pelo desembargador Gabriel de Oliveira Zéfiro, que também nomeou Fernando Sarney, um dos vice-presidentes da entidade, como interventor responsável por conduzir novas eleições “com a maior brevidade possível”.
Na decisão, o magistrado declarou a nulidade do acordo firmado entre dirigentes da CBF no início de 2023, que havia sido homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e encerrado a disputa judicial sobre a legalidade do processo eleitoral que reconduziu Ednaldo ao cargo. O desembargador fundamentou sua decisão na “incapacidade mental” e em indícios de falsificação da assinatura de um dos signatários do acordo, o ex-presidente Antônio Carlos Nunes de Lima, o Coronel Nunes.
“Declaro nulo o acordo firmado entre as partes, homologado outrora pela Corte Superior, em razão da incapacidade mental e de possível falsificação da assinatura de um dos signatários”, escreveu o magistrado.
A decisão do TJ-RJ ocorre após o ministro Gilmar Mendes, do STF, ter determinado, no último dia 7, o retorno dos autos à Justiça estadual para apuração urgente dos fatos narrados nas petições apresentadas por Fernando Sarney e pela deputada federal Daniela do Waguinho (União Brasil-RJ). Ambos alegaram que a assinatura do Coronel Nunes no referido acordo foi falsificada, o que comprometeria sua validade jurídica.
Fernando Sarney, nomeado interventor, é vice-presidente da CBF com mandato até 2026 e figura de oposição ao grupo de Ednaldo. Ele não integrou a chapa que reelegeu o agora afastado presidente por aclamação, em março deste ano.
Esta é a segunda vez que Ednaldo Rodrigues é destituído do cargo pela Justiça. Em dezembro de 2023, ele já havia sido afastado por decisão do próprio TJ-RJ, mas obteve liminar do ministro Gilmar Mendes e retornou ao comando da entidade um mês depois. A nova decisão ainda cabe recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao próprio STF.
No momento em que foi informado do afastamento, Ednaldo se encontrava em Assunção, Paraguai, onde participava de evento da FIFA.
Contexto político e jurídico
A crise se intensificou nas últimas semanas, com a apresentação de laudo pericial que aponta a inexistência de autenticidade na assinatura de Nunes. A peça jurídica, que sustentou o afastamento, questiona a legalidade do acordo que encerrou a ação sobre a eleição da CBF. Sem esse documento, a reeleição de Ednaldo perde a base legal.
A movimentação jurídica também coincidiu com tentativas de Ednaldo de fortalecer seu apoio institucional. Na última segunda-feira, ele anunciou a contratação do técnico Carlo Ancelotti para comandar a Seleção Brasileira, antecipando-se à oficialização do Real Madrid — clube com o qual o treinador mantém vínculo até o meio do ano. A medida foi interpretada nos bastidores como uma tentativa de capitalizar politicamente e reforçar sua posição.
Na terça-feira seguinte, o então presidente reuniu-se com presidentes de federações estaduais na sede da CBF, no Rio de Janeiro, em uma tentativa de consolidar apoio. A equipe jurídica da confederação sustentava haver segurança jurídica para manutenção de Ednaldo no cargo, mas admitia recorrer ao STF em caso de decisão desfavorável no TJ-RJ, como a que se concretizou nesta quinta-feira.
Com a nova decisão, o comando da CBF volta a um estado de transição e incerteza, com o futuro da presidência da entidade condicionado ao desfecho de nova disputa judicial e à realização de novas eleições.
