Skip to content

Rosário: o banquete das consequências…

Neto Cruz, 13 de maio de 2025
Sócios? Calvet e Jonatha unha e carne nos negócio$$$

Por Redação

“Todo mundo, mais cedo ou mais tarde, senta-se para um banquete de consequências.” A frase de Robert Louis Stevenson, que com agudeza filosófica revela as inexoráveis consequências de nossos atos, surge como um espelho perfeito para a recente decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão. O ex-prefeito de Rosário, José Nilton Pinheiro Calvet Filho, ao não ser reeleito, perdeu o foro privilegiado que, até então, o eximia de ser julgado pela Justiça comum. A sentença, que indeferiu o pedido de reconsideração do Ministério Público, faz ecoar uma reflexão profunda sobre o papel do poder e da justiça na vida política e social.

Em um julgamento crucial, o Tribunal manteve a decisão de que, com a cessação do mandato, perde-se a competência do Tribunal de Justiça para processar e julgar o caso, levando-o à primeira instância, como preconiza a jurisprudência vigente. Essa decisão reafirma a distinção entre os cidadãos comuns e aqueles investidos temporariamente de poderes políticos, como prefeitos, governadores e parlamentares, cujos crimes, quando cometidos durante o exercício do cargo, não devem garantir a imunidade judicial por tempo indeterminado.

A decisão baseia-se na interpretação majoritária do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a qual a prerrogativa de foro se extingue com o fim do mandato, salvo situações excepcionais, como aquelas onde se verifique o término da instrução processual ou a publicação de despacho final. No entanto, mesmo com o julgamento de habeas corpus nº 232.627/DF, que sugere a continuidade da prerrogativa de foro para crimes cometidos no cargo, a Suprema Corte ainda não emitiu uma decisão vinculante que alterasse a lógica estabelecida.

A argumentação do Ministério Público, que invocava a tese da continuidade da prerrogativa de foro, apontava para um entendimento inovador que poderia garantir que ex-autoridades fossem julgadas por tribunais superiores, mesmo após o término do mandato, desde que os crimes estivessem relacionados ao exercício da função pública. Porém, o Tribunal de Justiça do Maranhão, ao reafirmar a decisão de remeter o caso à primeira instância, seguiu o entendimento consolidado, fundamentado na interpretação de que a prerrogativa de foro se extingue com a perda do cargo eletivo.

A metáfora do “banquete de consequências” remete à ideia de que a justiça, por mais que tenha demorado a chegar, não falha em sua missão de colocar todos no mesmo nível perante a lei. Mesmo que o poder político ofereça, temporariamente, uma proteção, ele não impede que, no final das contas, todos enfrentem as repercussões de seus atos. O ex-prefeito, ao perder sua imunidade jurídica, agora se vê diante de um tribunal ordinário, onde a análise de sua conduta será tratada com a mesma seriedade e imparcialidade com que qualquer cidadão seria julgado.

Neste contexto, a decisão serve como um lembrete: o poder é efêmero, e suas consequências são implacáveis. A ideia de uma justiça que não se curva ao poder temporal, mas o julga à luz da equidade e da responsabilidade, encontra eco na sentença, que reafirma a primazia da igualdade perante a lei. A passagem de Calvet Filho de um tribunal superior para a Justiça comum é, assim, um reflexo da inexorabilidade das consequências de seus atos, servindo de exemplo para aqueles que, ao longo do tempo, acreditam que o poder é uma fortaleza intransponível.

Como Stevenson nos alertou, o banquete de consequências é inevitável — e todos, mais cedo ou mais tarde, têm de se sentar a ele.

Política

Navegação de Post

Post Anterior
Próximo Post

Posts Relacionados

Política

AGENDA DO PAREDÃO PITBULL, A FÚRIA DO SOM AUTOMOTIVO – O MAIS FAMOSO DE SLZ

25 de abril de 2018
Leia Mais
Política

Braide denuncia corte de insalubridade dos funcionários do Estado

3 de maio de 2018

O deputado Eduardo Braide usou a tribuna, nesta quinta-feira (3), para denunciar a retirada do pagamento do adicional de insalubridade dos servidores públicos que estejam de férias. “A retirada indevida já está sendo executada pelo Governo do Estado”, disse. “Recebi várias denúncias de sindicatos e servidores da AGED, da área…

Leia Mais
Política

LOCKDOWN – Flávio Dino afirma que barreiras serão montadas na Grande Ilha

1 de maio de 2020

Em entrevista coletiva, realizada na manhã desta sexta-feira (1º), o governador do Maranhão, Flávio Dino (PcdoB), falou sobre o cumprimento da decisão do Poder Judiciário, que obrigou o Estado a estabelecer o bloqueio total (lockdown) das atividades não essenciais na Região Metropolitana de São Luís. Flávio Dino afirmou que dará…

Leia Mais

POSTS POPULARES

  • Os Dez Notáveis do TJMA: saiba quem são os Magistrados que decidiram ‘blindar’ Douglas Martins de ‘apagamento histórico’
  • EXCLUSIVO: Nota da AMMA e ofício de dez juízes expõem reação institucional contra proposta que atinge Vara de Interesses Difusos
  • Blocão do DD promete parar Ribamar
  • Pinga Fogo
  • BOMBA! Juiz Douglas Martins afirma que ‘forças obscuras’ tentam acabar com sua Vara; vídeo

PUBLICIDADE

©2026 Neto Cruz | WordPress Theme by SuperbThemes