Um verdadeiro escândalo foi exposto nesta semana pelo Ministério Público do Maranhão. Vistorias realizadas em escolas municipais de Turilândia revelaram uma sucessão de irregularidades graves: do atraso no início do ano letivo ao completo abandono da merenda escolar e das estruturas básicas para o funcionamento das unidades.
A promotora de justiça Rita de Cássia Pereira Souza, responsável pela operação, percorreu escolas como Edmundo Silva, Maria de Jesus Silva Costa e o Centro de Distribuição de Merenda Escolar. O que encontrou foi alarmante: aulas ainda não iniciadas em pleno mês de abril, alimentos vencidos e sem controle de validade, polpas de frutas armazenadas em freezers sujos, produtos do ano anterior ainda estocados e nenhuma garantia de segurança alimentar para as crianças.
E não para por aí. Em algumas unidades, banheiros foram transformados em depósitos de livros. Salas de aula seguem sem climatização, creches estão sufocantes sem ar-condicionado e banheiros em escolas de tempo integral não têm sequer chuveiros ou portas. Um cenário indigno, incompatível com qualquer noção de educação pública minimamente decente.
“A fiscalização do MP busca garantir os direitos fundamentais das crianças e adolescentes, e o que vimos em Turilândia está muito distante disso”, afirmou a promotora.
As informações coletadas servirão de base para medidas administrativas e, se necessário, judiciais. Mas diante de tamanha negligência, fica a pergunta: até quando o poder público vai ignorar o básico?
Enquanto isso, no Instagram, o prefeito de Turilândia ostenta a bio:
“Prefeito de Turilândia | Reeleito com orgulho pelo povo | O trabalho continua”.
Mas que “trabalho” é esse que ignora crianças sem merenda, escolas sem estrutura e o ano letivo começando com um mês de atraso? O “orgulho do povo” não pode ser medido por curtidas e frases feitas, mas pelo que realmente chega à ponta — e o que está chegando hoje em Turilândia é abandono, precariedade e desrespeito à educação pública.
É fácil alimentar uma imagem pública com slogans e discursos prontos. Difícil mesmo é garantir que as escolas estejam funcionando, que os alunos tenham o que comer e que os professores tenham estrutura para ensinar. Se isso é o tal “trabalho que continua”, o povo de Turilândia está pagando caro por um marketing que não se traduz em realidade.
Turilândia merece muito mais. E merece agora…
